Não gosto muito do formato de envolvimento que os clubes de futebol desenvolveram com seu torcedor. É alguma coisa parecida com um balcão de troca-troca, um tipo de escambo esportivo, uma relação baseada no "empate" entre os custos (ingressos e produtos) e os benefícios (títulos, vitórias etc). Com o tempo perdi o vício de me deixar levar por números que acontecem dentro de campo. Uma goleada a favor, por exemplo, não é necessariamente indício de que o time esteja azeitado, da mesma forma que uma pixotada como aquela de domingo diante do Bugre não prova que a coisa degringolou. Como já escrevi anteriormente, um acidente já tratado com rigor pelo Delegado.
A troca numérica
Não me agrada o formato do discurso utilizado pela diretoria avaiana e pelo parceiro Luiz Alberto logo após a confirmação de venda de Rivaldo. A base de argumentação é que se estava saindo um, pelo menos três estavam chegando. Não tenho dúvidas que esse contraponto caia perfeitamente no gosto do brasileiro médio, aquele que acredita que três é sempre melhor que um, mas vejo nisso uma adaptação forçada ao jeito de ser do torcedor brasileiro, uma tática verbal para agradá-lo em sua simplicidade.
Uma mãe durona
Esse discurso dos cartolas é compreensível, mas prefiro olhar para esse negócio realizado pelo Avaí não como uma troca simples de Rivaldo pela trinca Lenadro Bonfim+Jeferson+Valber. Cansei de ver o meu clube sendo uma mãe ao longo de todo 2010, então fico orgulhoso de assistí-lo batendo de frente com o poderio financeiro de um Palmeiras. Por mim nem precisaria ter esse agrado de três contratações para me convencer que o Avaí agiu como gente grande, um clube profissional e que aprendeu a valorizar o seu patrimônio. Rivaldo foi vendido por um valor justo e isso é o que importa. Tentar segurá-lo seria uma tolice. Espero que esse não tenha sido um intervalo comercial, mas um filme que veremos se repetir de agora por muitos anos.
4 comentários:
Essa reposição das peças -
Auto Mecânica Avaí - foi mais rápida do que o habitual. Isso reflete uma necessidade do clube em querer algo mais e não apenas se manter na competição.
Por outro lado, há a suspeita de que 2 dos 3 estejam bichados.
A propósito, muitas felicidades, que tenhas uma vida longa torcendo, se incomodando e aplaudindo o Avaí, e muita saúde, dinheiro, festa, amigos e negócios. Continue, sempre, a nos brindar com o teu realismo e a tua sabedoria. Abraços.
pra acrescentar...
lembro que até poucos anos atrás nós perdíamos (isso mesmo, perdíamos) jogadores para times como Fortaleza, São Caetano, Santa Cruz, entre outros. Hoje continuamos perdendo jogadores, mas para times com poderio muito maior. Aqueles que citei anteriormente não tem mais condições para competir com o Avaí. Porque eles decaíram? Não! Porque nós crescemos MUITO, atingindo provavelmente este ano faturamento de R$ 35 milhões.
Esses times que ainda conseguem tirar jogadores do Avaí (uns 10 no Brasil) também perdem jogadores com a MESMA facilidade para a Europa, com valores logicamente maiores. Acredito que em mais três anos conseguiremos elevar nosso patamar e quem sabe perder jogadores apenas para 2 ou 3 grande clube brasileiro e os europeus... será um grande passo!
abs,
Marcelo
ALEXANDRE, grato pelas carinhosas e as profecias abençoadas. Que assim seja. Sobre os bichadinhos, esses já fazem parte de nosso show.
MARCELO, não ter "aberto as canetas" foi a melhor parte. Rivaldo já estava com a cabeça no Palestra e tentar segurá-lo criaria um tremendo problema interno.
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