Foi lançada ontem a campanha Vá ao Estádio, promovida pela Federação Catarinense e Associação de Clubes Profissionais de SC, com apoio da RBS. O objetivo principal é trazer as famílias de volta aos estádios, o que expõe o fato de que este grupo social já não faz parte do futebol.
Agressões no interior
Lemos e ouvimos relatos das agressões que os torcedores da capital sofrem quando acompanham seus clubes ao interior do Estado. A placa do automóvel ou do ônibus indicando a Ilha da Magia como território de origem do adversário é a senha para que uma antipatia instantânea inicie uma sequência de agressões verbais e até mesmo físicas.
Morei por 20 meses (2003 a 2004) no meio oeste catarinense e pude perceber isso na pele: “Se é de Floripa é vadio”. Em contrapartida percebia o fascínio que essa cidade causava em meus “agressores”. Minha última viagem acompanhando o Avaí foi em 1997 para a cidade de Criciúma, excursão fechada por um grupo de funcionários da Eletrosul, onde trabalhava. Recebemos ameaças na entrada e tivemos o ônibus apedrejado na saída.
Violência em “casa”
No ano passado, vi torcedores do Avaí chutando os portões da Ressacada e tentando invadir os vestiários do nosso próprio time. Estava com meus dois filhos e fiquei apavorado.
Com o advento da série A a intolerância passou a fazer parte do dia-a-dia. Vi inúmeros carros de torcedores que vinham de outras cidades catarinenses para torcer por São Paulo, Palmeiras, Grêmio etc, sendo chutados e seus ocupantes ameaçados de surra. Me envolvi na defesa de um senhor de Lages com mulher e filhos atônitos no interior de seu carro. Triste.
Afastamento
Em função deste cenário parei de levar minha família ao estádio. Pagava suas mensalidades por carinho ao clube mas com o aumento abusivo das mensalidades me tornei o único sócio avaiano aqui de casa. Estou me cansando dos riscos e incomodações que passaram a fazer parte do cotidiano do futebol. O dispêndio financeiro e o tempo gasto para chegar e sair da Ressacada começam a instigar minha análise de custo-benefício.
Não há como comparar o prazer e a emoção entre assistir uma partida de futebol no campo e pela TV. Pela TV aquilo tudo não passa de um jogo de pebolim melhorado. Entretanto, confesso que o Pay Per View passa a ser uma alternativa viável para um futuro não tão distante.
Torço para que essa campanha da RBS tenha êxito, mas se as devidas medidas de segurança não forem tomadas, minha sugestão é que se pegue essa grana das propagandas e se invista em pizzas, por exemplo. Aí, oficialmente, a tentativa de levar as famílias para os estádios terminará como tudo nesse país.
Agressões no interior
Lemos e ouvimos relatos das agressões que os torcedores da capital sofrem quando acompanham seus clubes ao interior do Estado. A placa do automóvel ou do ônibus indicando a Ilha da Magia como território de origem do adversário é a senha para que uma antipatia instantânea inicie uma sequência de agressões verbais e até mesmo físicas.
Morei por 20 meses (2003 a 2004) no meio oeste catarinense e pude perceber isso na pele: “Se é de Floripa é vadio”. Em contrapartida percebia o fascínio que essa cidade causava em meus “agressores”. Minha última viagem acompanhando o Avaí foi em 1997 para a cidade de Criciúma, excursão fechada por um grupo de funcionários da Eletrosul, onde trabalhava. Recebemos ameaças na entrada e tivemos o ônibus apedrejado na saída.
Violência em “casa”
No ano passado, vi torcedores do Avaí chutando os portões da Ressacada e tentando invadir os vestiários do nosso próprio time. Estava com meus dois filhos e fiquei apavorado.
Com o advento da série A a intolerância passou a fazer parte do dia-a-dia. Vi inúmeros carros de torcedores que vinham de outras cidades catarinenses para torcer por São Paulo, Palmeiras, Grêmio etc, sendo chutados e seus ocupantes ameaçados de surra. Me envolvi na defesa de um senhor de Lages com mulher e filhos atônitos no interior de seu carro. Triste.
Afastamento
Em função deste cenário parei de levar minha família ao estádio. Pagava suas mensalidades por carinho ao clube mas com o aumento abusivo das mensalidades me tornei o único sócio avaiano aqui de casa. Estou me cansando dos riscos e incomodações que passaram a fazer parte do cotidiano do futebol. O dispêndio financeiro e o tempo gasto para chegar e sair da Ressacada começam a instigar minha análise de custo-benefício.
Não há como comparar o prazer e a emoção entre assistir uma partida de futebol no campo e pela TV. Pela TV aquilo tudo não passa de um jogo de pebolim melhorado. Entretanto, confesso que o Pay Per View passa a ser uma alternativa viável para um futuro não tão distante.
Torço para que essa campanha da RBS tenha êxito, mas se as devidas medidas de segurança não forem tomadas, minha sugestão é que se pegue essa grana das propagandas e se invista em pizzas, por exemplo. Aí, oficialmente, a tentativa de levar as famílias para os estádios terminará como tudo nesse país.
15 comentários:
Daí, Gerson, lembra quando desses conta que teu blog tava desvirtuando do propósito?
Eu sou um leitor diário do teu blog, acho tuas ideias muitas vezes brilhantes, mas, mesmo com os sucessivos erros do nosso clube em diversos segmentos, além da crueldade do planeta que habitamos (refletido pontualmente nesse último post), esse espírito apocalíptico cantado em "verso e prosa" nesse espaço me faz pensar, também, em não voltar aqui de novo.
Podes pensar: "tudo bem, tem outros!" Mas eu gosto daqui, não me faz ir embora?
Um abração!!!
Pefeita análise.
Outra coisa, se a RBS realmente quer que as famílias voltem aos Estádio pode começar mudando ohorário dos jogos. 10 horas da madrugada com a família tendo que trabalhar e ir para a escola cedo no dia seguinte não dá.
Acho que a família vai é ficar em casa, vendo a novela, o BBB e a TVcom.
Só rindo.
Enquanto a Federação faz a campanha VÁ AOS ESTÁDIOS, O BLOG avaixonados FAZ A CAMPANHA "NÃO VÁ AOS ESTÁDIOS", hehehe
Quem vencerá?
CARLÃO, muitos andam pensando a mesma coisa em silêncio. Outros já partiram para a ação, ou falta dela via PPV. Mas sabe como é, esse aqui é meu pequeno Diário Virtual onde costumo pensar (sinceramente) em voz alta.
FELIPE, na real a RBS está usando um problema pré-existente para fazer seu "social". Esse nem é um problema direto deles, mas que jogos na madrugada atrapalham, atrapalham, sim.
VALDEZ, tá certo, pode renar masmo... rs Mas eu diria que o melhor título para essa campanha do blog seria POR ENQUANTO VÁ AOS ESTÁDIOS.
Gerson,
Cara hoje moro em São Paulo e por muito viajei e viajo atras do Avai, posso dizer com propriedade que viajar em santa catarina é de longe o pior lugar, pois em todos, digo em todos os lugares somos hostilizados e corremos sérios riscos, pois no meu ver a PM de sc é totalmente despreparada e possui um sentimento contra nós da capital pois ouvi varias vezes em campos catarinenses a policia falar "se virem" ou "se ganharem vocês não saem daqui tão cedo", ou seja é uma campanha hipócrita assim como são as vistorias nos estádios.
Morando em São Paulo já fui a jogos aqui, Rio, BH, Porto Alegre, Recife, salvador, Goiania, Brasilia entre outros e nenhum lugar me senti inseguro por completo pois o policiamento sempre esteve presente nos dando suporte.
na minha opinião antes de lancar campanha deve-se treinar a policia para espetáculos como futebol, shows, carnaval etc que é muito diferente da rotina normal da policia.
O dia que deixares de escrever o que pensas e lançar as criticas que sempre são construtivas, pelo menos aqui, eu é que vou deixar de vir aqui. Quando tu quis agradar a todos isso aqui ficou muito chato. Ainda bem que voltasse já a um certo tempo a ser o blogueiro do início.
Blog é isso mesmo, dizer o que pensa com opinião independentes. Eu mesmo ja tinha comentado estou por um fio de abandonar o barco azul. Abraços, Gerson és o cara.
Abraços
excelente texto gérson. o pior é que a situação de segurança piora a cada dia e na mão invertida temos que pagar mais caro. junto com milhares de avaianos e torcedores em geral tb penso em deixar de ir aos estádios. futebol é maravilhoso mas vida a gente tem uma só. detalhe, se vc parar de escrever o que pensa paro de acessar teu blog, não aguento os bocas alugadas!!!
Alias as declarações de Moisés Candido vale um post.Abraços
RODRIGO BUCH, não tenho dúvidas da falta de vontade de nosso policiamento. Quando querem põe ordem em qualquer lugar.
RODRIGO V.R e JAIRO, o ambitente da blogosfera avaiana mudou muito. Hoje já não há mais aquela tropa de elite que servia de escudo. Até porque se tivesse de nada adiantaria. E se não for para escrever o que quero, fecho essa naba, pronto.
RODRIGO V.R, tu não me intizica!
Como levar sua mulher, filho, acompanhante, etc. a um jogo?
1) Valor de ingressos beirando a casa dos R$100,00! Não vale mais fazer um "rancho" no supermercado? Ou fazer um passeio de carro para outra cidade (coisa que mulher adora).
2) Horário dessas peladas, 22:00 realmente para quem acorda cedo e já possui a sua rotina, é muito complicado.
3) Trânsito, provocações, xingamentos, um monte de vagabundos que fazem o que bem entendem tomam conta e se dizem os donos do pedaço!
4) Policiamento na grande maioria das vezes não sabe seque o que está fazendo. Falta de treinamento, preparo, qualificação em TRATAR PESSOAS e não animais, pq até em animal é proibido bater (ao menos possui leis)!
5) Estacionamento - Quem nunca sofreu com aquele "marginal" que explora a via pública para ganhar um "troco"? Não é direito seu, você colocar seu carro "onde possa estacionar" sem ter que sofrer uma "intimação" dessa gente? Basta olhar o que o policiamento/clube faz quanto a isto!
6) Os assaltantes legais "cambistas", que ficam na frente das entradas berrando "ingresso, ingresso barato, compro, vendo" e o Policiamento e o clube o que fazem?
7) Vistoria nos estádios? Onde? Como? Colocam uma venda para pode aprovar os jogos em lugares que não há condições legais.
Imagina se o clube da cidade x que só possui um estádio e participa do campeonato não puder jogar na própria cidade? De que vale? Até parece que ninguém vê como fazem para liberar esses locais.
É realmente a lei do quem paga mais pode!
RBS paga para ter o direito de transmitir os jogos. Os clubes aceitam, mas não se valorizam - aceitam horários, dias de jogos, valores que não pagam nem o investimento que DEVERIAM fazer nas praças de jogos, e ainda tem que ficar fazendo média e escutarem aqueles "profissionais" falando das cabines de rádio que não possuem condições, puxadinho daqui, puxadinho dali, chupa aqui, chupa ali, etc.
Resposta:
Gostaria muito que minha esposa me acompanhasse aos jogos do Leão, mas sou obrigado a ver o lado dela nessa hora e concordar que não há condições! É mais seguro ficar em casa do que vc passar por mais algumas horas estressantes do seu dia.
Alias, com relação ao horario tardio dos jogos no meio de semana, aqui em São Paulo há uma campanha sendo feita pela radio jovem pan e tem uma lei que está tramitando na camara de veradores de são paulo para proibir as partidas as 22, aqui a coisa é pior pois há registro de violencia contra torcedores apos o encerramento dos jogos e o transporte aqui vai até meia noite o que impossibilita muitos de voltarem pra casa.
Ontem a federação paulista ameaçou os clubes caso a lei seja aprovada de levar os jogos para o interior, ou seja, estamos nas mãos da rede globo que paga e faz o que quer com o futebol brasileiro, e o povo que se dane!
De uns tempos pra cá eu comecei a ficar preocupado também com a polícia, por dois motivos: excesso de repressão ou ausência completa.
Mas a RBS é nossa amiga e está promovendo isso apenas por que gosta dos catarinenses. E do Avaí, principalmente - mente muito.
C0N4N, esse te levantamento é caótico. Até deprimi. Mas é o espelho da nossa realidade.
RODRIGO, o futebol deixou de ser do povo há um bom tempo. Os próprios clubes deixam isso claro com uma elitização que objetiva pagar salários de reis a jogadores e técnicos.
ALEXANDRE, li seu texto hoje e entendi perfeitamente do que estavas falando. Estamos sendo levados à condição de protagonistas de um espetáculo teatral. No intervalo, não mais que massa de manobra.
Exatamente! E a palavra é essa mesma, um teatro, uma ópera bufa, daquelas bem reguenguelas.
Mas, embora eu não seja um desiludido, me constrange perceber que aqueles pelos quais defendemos nossas Termópilas contras os Persas, estão achando tudo normal.
Que mudança!
Caraca, que vontade de dizer um palavrão.
Eu quero saber, de verdade, o que houve entre 31 de dezembro de 2009 e 1 de janeiro de 2010. O champagne estava azedo, só pode ser.
em questão de segurança nos estadios acho que falta sim, mas vou desde os tres anos de idade aos jogos e nunca sofri nenhuma agreção ou fui desrespeitada dentro ou nas redondezas de nosso estadio, ja não poso falar o mesmo de outros estadios, pois na unica oportunidade que tive de ver meu time nun estadio que não fosse a ressacada foi o HH onde a torcida do avai foi muito mal recebida e mesmo tendo somente 7 anos na época fui agredida verbalmente e meu pai por pouco não foi alvo de uma pedra, o que fez com a minha familia não fosse a jogos fora da ressacada.
acho que estadio tbm é lugar pra mulher, pra criança, pra idoso...Mas infelismente por preços abusivos dos ingressos falta de policiamnto principalmente nas redondezas do estadio, faz com que muitas pessoas prefiram ficar em casa vendo o ppv
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