Porque o furdunço?

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Como os leitores aqui do Avaixonados já devem ter percebido, gosto de falar das coisas que existem e não daquilo que se especula. Esse meu posicionamento tem muito a ver com o cumprimento do 2° Mandamento que me auto-imputei desde a publicação dos 15 Mandamentos do Futuro Blogueiro Avaiano: “(...) Se parecer fofoca, definitivamente não é notícia”. Não que as especulações deixem de ser um excelente mote para um post, apenas não gosto de perder tempo. Excepcionalmente hoje quero falar sobre a possibilidade sempre latente da saída do técnico Paulo Silas. Eu acho isso absolutamente normal para um profissional competente como ele. Anormal, isso sim, é a reação dos avaianos toda vez que essa informação é veiculada. A impressão que dá é que se instala um estado emocional ao estilo “socorro, querem levar minha babá”. Vejo nisso duas miopias esportivas.

A primeira é a falta de percepção em relação ao mercado da bola. Nós, torcedores, temos a tendência de querer que os profissionais do futebol tenham uma relação com nossos clubes iguais a que nós temos. Ficamos orgulhosos quando eles beijam o escudo, dizem que amam a torcida, que ficam por amor bla, blá, blá. É engraçado quando os torcedores os elevam à categoria de semi-deuses sempre que seguem esses gestos rituais tão típicos. Obviamente que existe um código de ética mínimo que os todo boleiro deve seguir, sob pena de serem queimados nesse mesmo mercado. Mas o que eles fazem no dia a dia não é nada diferente do que eu e você fazemos em nosso trabalho: cuidamos de nossas carreiras com cuidado e sempre procuramos crescer com estabilidade financeira. Chamam a isso de sobrevivência. Silas não é diferente, também quer o mesmo. Quando leio as palavras dele onde diz que “Por agora, agora, está totalmente descartado. Mas vamos ver o que vai acontecer depois da reunião com o presidente” ele acena que isso pode acontecer sim, e a qualquer momento. Aliás ele já deu mostras disso naquela entrevista à Cacau Menezes logo após a conquista do Catarinense de 2009. Ou você já esqueceu? Silas pode ficar ou sair do Avaí até o fim do campeonato, e isso é absolutamente normal.

A segunda miopia é a inversão de valores que demonstramos diante deste possível movimento de mercado por parte de nosso treinador. O que precisa ficar bem claro é que Silas não é maior que o Avai, mô pombo. A síndrome do “socorro, querem levar minha babá” evidencia que muitos avaianos acreditam que sem Silas a vaca vai pro brejo, que tudo estará perdido e restará apenas cinzas do Avaí. Como assim? A mística de nossas maiores conquistas ao longo destes 85 anos não foi construída em cima de excelentes técnicos de futebol, muito pelo contrário. O clube alcançou conquistas memoráveis apesar de alguns cabeças-de-bagre estarem à frente do comando técnico. Não vamos inverter a ordem das coisas. Enxergo em Silas um profissional que está cumprindo seu papel com competência e honradez, mas está sendo pago para isso mesmo. O “pobrema” é que a maior parte de seus companheiros de classe não fazem esse “basicão”, daí ele ser um sonho de consumo para os clubes brasileiros. Mas assim: não sou fiel à ele, não lhe exijo fidelidade incondicional e pra mim ele não é eterno coisa nenhuma. Eterno é o Avaí, e fiel eu sou unicamente à instituição Avaí. É por essa razão que se ele der adeus ao meu clube na semana que vem não estarei entre aqueles que o taxarão de traíra, mercenário e outros adjetivos impronunciáveis.

O Avaí perde? Claro que perde, mas Silas também perde. Afinal, foi ele mesmo que disse que jamais trocaria clube por salário, mas apenas clube por clube. Baseado em suas palavras, o fato dele ter balançado pela proposta do Sport, deixa duas suspeitas suspensas no ar: ou o Sport (leia-se projetos e diretoria) era mais confiável, ou a cláusula de rescisão era muito alta mesmo. Na falta de informações oficiais, só nos resta a especulação. Viu porque não gosto de comentar aquilo que ainda não é notícia de fato? De qualquer maneira, pra mim nada mudou: continuo respeitando-o como técnico e ele continua não sendo meu ídolo. Afinal não é nada pessoal, são apenas negócios.

11 comentários:

GUSTAVO BOSSLE disse...

bela análise.

um abraço

Cristian disse...

Gerson, devo ter perdido alguma coisa enquanto tava viajando, pq não tô entendendo os blogueiros avaianos nessa história. Baseado em que afirmas que ele "balançou" com a proposta? Do que eu vi ele continua claro como sempre que quer cumprir contrato, sem "balanço" algum!

Cristian disse...

Só deixando claro... sim, eu vi a frase que o clicrbs "narrou"... mas ela me parece totalmente incompatível com tudo mais que eu vi nesse em outros episódios, então só acredito nessa frase ouvindo ela da boca dele. Me parece mais coisa mal interpretada ou fora de contexto.

Rafael Vidal Eleutério disse...

Gerson, vejo isso de forma diferente - e muito.

Não comentarei sobre a parte de que Silas não é maior que o Avaí - isto é óbvio. Mas da parte em que ele não seja um ídolo, ah, essa eu tenho que discordar.

O fato do Silas ter balançado agora para mim só evidencia que algo não está certo no projeto que ele tenta desenvolver no Avaí.

O projeto do Sport, afinal, todos imaginamos que deva ser muito bom. É um dos times que mais tem crescido ultimamente. É claro que o Silas gostaria de dirigir um time com as perspectivas do Sport.

Não acredito que a cláusula tenha sido o motivo dele não ter ido, mas aquela reunião com o Zunino - e destaco o fato do LA estar na mesa.

Sobre aquela entrevista ao Cacau, acho que os fatos anteriores podem explicar bem a postura dele.

Acredito, isso sim, que Silas não tem motivos para continuar no Avaí se nós não cumprirmos o projeto combinado com ele - assim como nenhum profissional precisa trabalhar numa empresa de proposta diferente da sua enquanto tem propostas melhores. Como foi falado, ele só trocará clube por clube.

Se nós temos um técnico aqui com a postura de nunca ter dito amar o clube, que nunca beijou o escudo, que nunca fez nenhuma destas ações, mas até agora conseguiu tudo que nós queríamos, não vejo motivo para não ser considerado ídolo. Afinal, o que faz um ídolo?

Talvez só tenha faltado beijar o escudo e dizer que é avaiano mesmo...

Gerson Santos disse...

Gustavo, excelente o seu posicionamento em relação à agilidade das notícias. Sempre alerta.

Cristian, analiso a "balançada" de Silas baseado nas declarações DELE expressas nos mesmos meios de comunicação que eu e você temos acesso. Deve ser verdadeiro, pois não soube de nenhum processo por calúnia e difamação contra a imprensa. É por isso que quando você se pronuncia sobre esse tema em seu comentário logo acima, também toma o cuidado de usar a expressão "me parece". Estamos no mesmo barco. Igual à você, só me resta comentar aquilo que foi dito pelos meios de comunicação NÃO OFICIAIS. Mas não há uma boa razão para nos iludirmos: Silas pode sair do Avaí na hora que bem entender. Esse é um direito que lhe assite, pois as cartas estão na mesa e todos conhecem as regras do jogo. Por mim Silas fica na ilha pelos próximos 50 anos, mas com ele ou sem ele faremos uma campanha maravilhosa na série A.

Rafael, eu não disse que o Silas não é ídolo. Eu disse que ele não é MEU ÍDOLO. Hoje meus ídolos são outros, vêm de outras áreas e influenciam minha vida pessoal. Não bastasse isso, tenho por posicionamento na Blogosfera a opção de ter uma relação menos apaixonada em relação à todos os profissionais que transitam na Ressacada. A paixão é sorrateira e nos cega com muita facilidade, normalmente nos conduz a sérios erros de julgamento. Esse é um luxo a que não me permito pois todos os dias tenho que escrever algo de sensato e que suscite credibilidade para mais de 650 pessoas. Isso não vale para dias de jogos, é claro.

Rafael Vidal Eleutério disse...

Também discordo no ponto sobre a importância dos técnicos nas conquistas do passado. Eram épocas muito diferentes, onde até mesmo campeonato por decreto nós ganhamos. Se nosso técnicos eram cabeças-de-bagre, os outros eram impronunciáveis numa discussão de bom nível.

Hoje o Silas não é um técnico que faz o "basicão". "Basicão" no futebol brasileiro é ser como os outros. Hoje ele é excepcional, se todos os grandes clubes do país já o desejaram numa troca de técnicos é porque algo mais ele tem, não?

Só minha opinião, mas visões como essas de que tudo isso trata-se somente de negócios podem fazer com que o melhor técnico que o Avaí já teve possa sair no final do ano como só mais um...

Eirck disse...

Eu já tenho Silas com mei ídolo. E ele sempre me pareceu um cara de palavra. Nâo to dizendo que ele tem a palavra pq gosta da torcida e sim por respeito ao Zunino, pq no dvd ele disse que tem ele como um pai.

Hugo Castro disse...

Legal seu ponto de vista e acho que é assim que a maioria dos torcedores deviam se comportar, mas só fazendo uma observação de não ENCARAREM O AVAÍ COMO UMA EMPRESA, isso seria o pior pesadelo para um torcedor do Avaí, empresa é aquela coisa rosa lá do outro lado da ponte, participações S/A por sinal. Não que tb não seja, mais um clube de futebol aqui no Brasil principalmente é muito mais que uma empresa, partindo do pressuposto que nós somos torcedores e não "clientes" nossa relação com o clube é de um legítimo Avaixonado e não meramente como um cliente sem qquer vínculo passional.

Num geral concordo com tudo que vc disse no texto Gérson, mais uma vez muito bem escrito e na liguagem do torcedor a única coisa que discordo é que na minha opinião, mesmo o Silas saindo amanhã do clube ele será meu ídolo sempre no Avaí.

SEU CUNHA disse...

Alguns pontos até concordo e outros não, mas parabéns. Acho que postar com propriedades é o seu forte e ninguém é obrigado a concordar com tudo, mas vale respeitar seu ponto de vista.
SAudações Azurras

evefloripa disse...

Gerson, belo texto mais uma vez. Silas já é sim um ídolo do
Avaí e por tabela, acaba sendo nosso ídolo também. Logicamente, como vc disse, temos ídolos que nos influenciam mais diretamente. Mas, o que tenho percebido, o que tenho conseguido captar, é que o problema é mais além. Parece coisa de bastidores. Comissão técnica x diretoria (não o Zunino, que acaba sendo o mediador). Será que estou errada?

Gerson Santos disse...

Rafael, você tirou o termo "basicão" do contexto. E futebol é negócio sim, com CNPJ e tudo.

Eirck, eu também tenho palavra e um dia saí de casa, me afastando de meu pai. Ele continua me achando um bom filho e eu continuo achando-o um bom pai. Cuidado para não confundir futebol com família.

Hugo, encarar o Avaí como empresa não é uma opção, é a pura realidade. Mas você não pode basear suas opiniões sobre isso apenas em um exemplo que não o agrade. Pense por exemplo no Manchester, Barcelona, Real Madri, São Paulo, Internacional...

Cunha, valeu. Como sempre, um blogueiro democrático.

Evefloripa, tal como você tenho acesso apenas ao que a imprensa diz. O Avaí não se comunica com a gente, por isso vive correndo atrás de desmentidos e notas de repúdio. O Chacrinha já dizia que quem não se comunica se trumbica.

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